A MORTE


A morte (propositadamente com letra minúscula) é muito mais democrática que a Vida, liquida-nos a todos sem remissão e independentemente de patrimónios, sejam materiais, culturais ou de ciência.
Mas quando a morte no seu sorteio implacável, interrompe jovens vidas, é repugnante e de uma injustiça atroz. A própria morte demonstra que não tem critério e se a hora de matar é resultado de um desígnio superior, estranho é esse desígnio que procuramos branquear com o “estava escrito”.
Se a morte age a mando de Deus, a morte de um jovem na força da vida não é apenas ininteligível, é um momento de dúvida. O Homem não conhece o desígnio de Deus, mas conhece o sofrimento e a desgraça do efeito.
Será um acto premeditado ou um injusto acaso?
Seja qual for a resposta, pais que perdem filhos e mulheres ou homens que perdem jovens companheiros/as, dificilmente compreenderão o acto ou o acaso. É a inversão da lógica biológica, interrompida de um modo brutal, impiedoso e não passageiro, é para sempre.
Não faltará quem julgue este pensamento blasfemo e impio, provavelmente poderá sê-lo, mas para quem sofre a perda, o pedido de resignação é demasiado simplista e incoerente. A morte para ter direito a letra maiúscula, deveria ter princípios que não tem, liquida vidas que não compreendemos, porque com certeza é mesmo um acaso…pois para Divino mais dificuldade teríamos para entender…

MURROS


BPN "FRAUDIANO"


GASTRÓNOMO


CAMPEÕES


A convicção com que se fica é a de que o Porto não ganhou o campeonato, o Benfica é que o perdeu. Significa isto que a vitória azul e branca foi das que menos brilho teve, quer pela qualidade do futebol praticado, quer pela participação nas outras provas em que o Porto esteve envolvido, de que foi demasiado cedo arredado.
Se virmos os adeptos do clube na televisão, esfusiantes pela vitória, atribuem-na quase em exclusivo ao presidente e aos jogadores, o treinador é claramente lateralizado.
Têm razão, Vítor Pereira não justificou o cargo, mas é um vencedor do campeonato como os outros.
O Benfica que no momento chave da prova tinha 5 pontos de vantagem, implodiu e não conseguiu suportar as despesas da Champions, da Liga e da Taça.
O golo sofrido em fora de jogo na partida com o Porto, que foi um dos momentos chave do campeonato, vai ser claramente esquecido, perante a diferença pontual que o Porto terá sobre o Benfica no final da Liga Sagres.
Os campeonatos ganham-se pela regularidade e o Benfica e o Braga no último terço, não mantiveram a regularidade anterior, enquanto o FC do Porto sem brilho, é certo, sempre com grandes hesitações, acabou por ser o mais eficaz.
As duas vitórias decisivas, na Luz e em Braga, acabaram por ser as melhores prestações dos dragões e conclusivas para atribuição do título.
O Benfica vai fazer psicanálise durante muito tempo e os níveis de auto-estima vão descer do 3º anel para o nível do relvado, pois ter 5 pontos de vantagem à entrada da fase final do campeonato e perder 11 para o rival directo, é pesado e Jesus questionar-se-á como deixou fugir a águia Vitória.

FRAUDE NO BPN


O Diário de Notícias começou hoje a dar à estampa a grande e excelente investigação que o jornal fez sobre o caso BPN. A maior fraude financeira que alguma vez teve lugar em Portugal, que já custou perto de 3.5 mil milhões de euros e poderá chegar a 8.3 mil milhões, o que daria para pagar 3 anos de subsídios de férias e de natal.
Decorrem em todo o país 356 processos sobre a mega fraude, sem que até hoje a opinião pública saiba o que quer que seja de uma forma objectiva, com responsabilidades assumidas e criminalizadas.
O diáfano manto que cobre o processo é tão vasto, que os envolvidos, figuras gradas pertencentes ao quadrante partidário dos dois partidos que têm dividido entre si a governação, gozam de uma impunidade incompreensível, ou nem por isso…
O tráfico de influências e de repartição de benefícios, para além da incúria da supervisão, põe a nu, mesmo aqueles que julgávamos incorruptíveis.
A procissão ainda vai no adro, mas os andores já se avistam.
Este caso não é como outros, daqui nasceu o assalto ao subsídio de natal de 2011 e os que se seguirão aos dos funcionários públicos.
Todos somos credores e temos o direito de regresso, ou pelo menos a ver os culpados julgados e sentenciados. Agora o que se tem visto, é a sucessão de efeitos sem se perceber as causas nem o modus faciendi de como se lá chegou.
A austeridade campeia ferozmente para pobres e classe média, mas os autores e os imbecis que pactuaram com o processo, passam ao lado ou vão para reformas douradas, como dizia Victor Hugo “ Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa”.
O povo não pode consentir a iniquidade que se passou no BPN sem uma exaustiva clarificação dos actos e dos actores, não pode calar a miséria que lhe foi imposta e o branqueamento táctico dos partidos. O Diário de Notícias deu o pontapé no charco, honra lhe seja feita.

S.O.S


TRAIÇÃO


O TÚNEL


PERFUME DE LEÃO


Entre o perder e o ganhar quando os adversários se equivalem, está o detalhe e nele pode estar a felicidade ou infelicidade. O Sporting perdeu nesse detalhe da sorte, perdeu nos últimos minutos quando tudo parecia ir para prolongamento. A trave que antes tinha sido amiga, tal como com o Atlético de Bilbau, resolveu acabar com um magnífico jogo antes do tempo.
O Sporting perdeu como podia ter ganho, jogou no seu estilo europeu com bravura e entusiasmo, com a sua habitual inconsistência defensiva, mas com a irreverente criatividade na transposição para o ataque, a que também nos habituou. A derrota é amarga, pois a final da Liga estava ao seu alcance, mas quem assistiu aos dois jogos, não sendo adepto dos leões e sem nacionalismos bacocos, viu uma equipa de grande categoria, jovem, sem grandes estrelas, mas com um sentido colectivo total, suplantando-se nos momentos mais difíceis, reagindo sempre à adversidade nunca virando a cara à luta. Tivesse o fatal golo ocorrido mais cedo e o Sporting cavalgaria para novo empate.

Uma imagem vale por tudo o que dissemos: a Televisão mostrava a cara dos adeptos bascos com as mãos na cabeça, espelhando o medo da derrota, o técnico do Atlético era a aflição personificada sempre que o Sporting se aproximava da baliza dos bascos. O que se respirava em S. Mamés era medo. A isto chama-se respeito pelo adversário, a isto chama-se perder com dignidade. Os bascos ganharam, mas nunca puderam usufruir da vitória durante 88 minutos, o Sporting pairou sempre, como pairou em toda a campanha europeia. Os seus adeptos podem ter a cabeça bem erguida, o Sporting praticou do melhor futebol que se viu este ano em toda a Europa e tal como o melhor deles todos, o do Barcelona, caiu de pé e deixou um perfume que se fará sentir em Inglaterra, na Ucránia e agora em Espanha. Olé Olé Sporting.

DALAI LAMA


KAMIKAZE DA AUSTERIDADE


Estão assustados.
Os parceiros foram caindo como folhas de outono, independentemente da orientação política. Caíram 9 governos desde 2010 e a bengala de Merkel está a pouco tempo de ser o 10º, Sarkozy só com a ajuda de David Copperfield poderá escapar às suas novas funções: ajudar a bela Carla Bruni a tratar das crianças.
A austeridade de um momento para o outro deixou de ser a solução dos problemas que afligem a Europa e o crescimento é a nova palavra de ordem.

Confundir austeridade com consolidação orçamental está a dar o que dá em Portugal, o desaparecimento da economia real e as receitas fiscais a cair no precipício, tornando inócua a diminuição da despesa, pois o défice é influenciado pelas duas parcelas siamesas.
A estratégia Alemã com a cumplicidade da França está a provocar o desmantelamento da zona euro e o desfazer de um ideal social que esteve sempre subjacente à criação da moeda única. O empobrecimento e o devastar da classe média de muitos países, é o resultado de políticas permissivas da U.E, que de um momento para o outro pretendeu corrigir com sofreguidão e atabalhoadamente.
Como as mudanças políticas significam perder o poder, então os que restam, à cautela mudam o discurso e o que era a desgraça no mês passado, passa a virtuoso no mês seguinte.
A hipocrisia de quem comanda a Europa é arrepiante, contribui para o descrédito geral e evidencia a incompetência e leviandade com que se tem gerido a crise financeira. Os americanos estiveram na génese da criatura, mas como de costume rapidamente a passaram para os incautos e anjinhos do sul e estes lidaram com o Allien como se de um caniche se tratasse…
 Os alemães e o BCE dizem agora que não querem ser os talibãs da austeridade e não são, eles são os kamikaze da austeridade.

A MAÇÃ DO FMI


A dívida pública de Portugal em 2011 superou pela 1ª vez os 100 % do PIB (107.8%), recorde-se que em 2008 o rácio era de 71.6 %. A nossa dívida é a 4ª maior da Europa, a seguir à Grécia (165.3 %), Itália (120.1) e Irlanda (108.2).
Em 3 anos o coeficiente que mede a dívida sobre a riqueza produzida cresceu mais de 50 %...
Países como os EUA, a Inglaterra e Japão têm dívidas relativamente ao PIB muito superiores, no entanto qualquer um deles tem uma particularidade fundamental, podem emitir moeda e pagar aos credores…os países da zona euro não gozam desse privilégio.
Cadilhe recorda em entrevista ao Jornal “I”, o alerta que formulou em 1990, sobre o perigo da adesão à moeda única, que implicava cumprir regras de indexação cambial e a convergência nominal. Dito de outra forma, adoptar uma moeda forte para uma economia débil. Esta é uma das razões fundamentais da crise que vivemos, associada ao facto de o crescimento ter sido alavancado por investimento público, sem rendibilidade e sem uma política de canalização de recursos para a produção de bens e serviços transaccionáveis, esses sim, reprodutores de crescimento sustentado.
As medidas de ajustamento do FMI, começam a dar os sinais evidentes de que a terapêutica vai definhando ainda mais o doente. Desemprego fora de controlo e a destruição maciça de milhares de pequenas e médias empresas, atira as receitas do Estado para fora do perímetro do expectável e agrava levianamente a despesa social com subsídios de desemprego. Se considerarmos que grande parte de pessoas que é lançada para os Centros de Emprego faz parte dos 60 % de trabalhadores com o 1º grau de escolaridade e idades acima dos 45 anos, é provável que a perda de emprego se torne de longa duração e pressione de forma permanente a coesão social.
A política monetarista levada aos limites em economias frágeis como a portuguesa e a grega, no futuro vai servir de exemplo do que se não deve fazer.
Ajudas consecutivas e a reestruturação da dívida, são os passos que se vão seguir, sempre debaixo de um empobrecimento colectivo e sem que a economia registe melhoras, pois a criação de unidades produtivas que possam absorver desemprego, será sempre insuficiente perante a destruição que lhe está a montante.
A dose absurda de austeridade, destruiu já parte boa da maçã e não demorará muito, até que toda ela apodreça. Desgraçadamente os radicalismos dos últimos dois governos, um expansionista sem critério na contracção de dívida para o que quer que fosse (os submarinos são um bom exemplo), outro no limite oposto, contracionista e aluno exemplar no cumprimento dos ajustamentos e cego perante o quadro recessivo que o rodeia. A Europa está em roda livre e cada um age por si, os programas de ajustamento nos vários países, apenas pretendem salvaguardar uma bancarrota geral e descontrolada nos países periféricos, mas dificilmente se escapará a um colapso continental, quando a austeridade lançar a gota que fará transbordar o cálice. 

BOM CAMINHO


INSTALADOS


Ora aqui está mais um cidadão que passou de político de ocasião, a um instalado na procissão.
O tipo faz de conta que não é nada com ele. Promoveu a direita ao poder com pompa e circunstância, votou ao lado dos que agora acusa de desorientação. A estratégia do quanto pior melhor feriu-o de morte politicamente, não tem qualquer credibilidade, as pessoas perceberam e Roma não paga a traidores.
Eh pá o homem até era um bom tribuno, no Parlamento era uma voz com um discurso incómodo e fluente, mas com a queda de Sócrates deveria ter tido a sensatez de ter ido com ele para Paris ou pelo menos para Tirana. Não o fez e foi pena, tinha dado lugar a outro que não estivesse amarrado a um erro fatal.
Diariamente procura apontar as baterias à Troika e aos que assinaram o acordo, mas a assinatura dele, tal como a do PCP estão lá, só que ambos deram 
procuração a outros para assinarem por eles.
Não vale a pena lavarem as mãos como Pilatos, quando derrubaram o Engº, sabiam que o que vinha a seguir não era um governo do BE ou do PCP, era do PSD/CDS. 
Esta gente está pouco preocupada com as mudanças, por que não serve para governar, vive desde sempre do contra e nada mais. Serve para os folclores dos debates e até serve a direita, dá-lhe a credibilidade democrática, invoca o interesse nacional sempre que lhes convém, mas o que lhes interessa mesmo, é estar na política, pois também não têm outra profissão.

CONFIANÇA


ASSASSÍNIO


RECEITAS


HINO AO FUTEBOL EM ALVALADE


Hino ao futebol foi o jogo Sporting-Atlético de Bilbau.
Um dos melhores, senão o melhor jogo que se disputou esta época para qualquer competição europeia. Intensidade, 90 minutos de vontade de discutir o resultado, em que as tácticas foram completamente desbaratadas pelo superior desempenho dos profissionais, que se preocuparam apenas em jogar futebol para marcar golos. Os espaços que se foram abrindo em 90 minutos, deixou as defesas muitas vezes expostas a contra-ataques que só não resultaram em muitos mais golos, por mera infelicidade na finalização.
O Sporting que sofreu o 1-0 em momento algum desacreditou e manteve um ritmo demolidor nas transacções, com um movimento colectivo fantástico e envolvente, como se um de harmónio se tratasse.
Alegria, querer, técnica individual e colectiva, enfim classe, foi o que os leões tiveram durante 90 minutos. O futebol desta 5ª feira independentemente do resultado da eliminatória, ficará gravado a letras de ouro na história do Sporting e para nós, (que não somos adeptos do clube de Alvalade) como um dos melhores jogos europeus a que assistimos de qualquer equipa portuguesa nos últimos 20 anos.
Em Alvalade o futebol foi mágico, como mágica é a carreira dos leões na Europa.

GENERAL BÍGAMO


ARGUMENTOS


CEGO, SURDO...MAS NÃO MUDO...


MATRIX NA FONTINHA


OLHOS EM ESPANHA


OLHOS EM ESPANHA


BIGAMIA


MADRE SUPERIOR


PAIXÃO DE TRIPEIRO


Pinto da Costa aos 74 anos, completa 30 de presidente do F. C do Porto.
O Porto clube confunde-se com o Porto cidade. No Porto em que se troca os vês pelos bês, em que nêsperas são magnórios, cadeados são aloquetes, a bola não salta por que pincha e os peros são maçãs, há uma personalidade muito própria. O tripeiro gosta que o reconheçam pela pronúncia, menos elegante, por vezes grosseiro, mas tem honra na sua cidade, gosta do S. João na rua, gosta de levar farnel para a praia e gosta das romarias urbanas,
Bairrista, por vezes fanático, vive as vitórias e as derrotas do Porto com um sentimento que está para além de um adepto de clube, é a cidade que ganha ou perde. Noutras terras passar-se-á o mesmo, mas na Invicta e até por isso, perder é sofrimento maior.
Desconfia de tudo que vem da capital, excepto do comboio, por vezes escapa-lhe o provincianismo de se sentir inferiorizado e faz de um qualquer jogo a guerra norte-sul. Perde por vezes o bom senso e desde que se ganhe aos de Lisboa, os fins justificam os meios, mas isso vem muito de trás, vem do tempo em que o Porto era subalternizado aos interesses da capital do império e tinha a simpática designação da cidade do trabalho.
A liberdade trouxe a emancipação do Porto e o F. C do Porto foi a imagem de marca desse soltar das amarras.
O presidente Pinto da Costa foi o general estratega desse movimento de libertação. O Porto internacionalizou-se, ganhou prestígio, dominou internamente em todas as modalidades mais representativas e ultrapassou o seu arqui-rival, o Benfica, que antes do 25 de Abril era o clube do regime.
Podem-se invocar milhares de desculpas, podem tentar denegrir por alguns erros cometidos, que existiram, mas é absurdo tirar o mérito a 30 anos de liderança de um homem, eficaz e apaixonada pelos dois Portos a cidade e o clube, que se fundem numa só identidade e que fazem do azul e branco a cor da paixão de um tripeiro.