O ZÉ
O Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira de Maio, refere que o ano de 2010 foi um ano perdido, pois adiaram-se reformas necessárias ao ajustamento macro-económico. Acrescenta ainda, que nos próximos anos a economia portuguesa vai estar sujeita a um profundo processo de ajustamentos de desequilíbrios estruturais que vai determinar a queda da procura interna.
Por outras palavras, a entidade supervisora vem dizer o óbvio, aquilo que já sabemos, que o nível de vida tem decaído e vai continuar a decair, terminologia técnica que quer dizer: menos crescimento, mais desemprego, menos consumo, menos crédito às empresas e particulares, enfim: a palavra mais temida –recessão -.
Em 2009 a mesma instituição com outro presidente não afinava pela mesma opinião. Instituições independentes com potencialidades previsionais indiscutíveis, só emitem opiniões divergentes do poder político, quando já lhe não são inconvenientes. Em Portugal normalmente não se rema contra a corrente dominante, a não ser quando esta cai em desgraça.
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O Dr. Silva Lopes, um aposentado milionário, vem agora dizer que os portugueses, tal como ele, vivem das poupanças dos nossos concidadãos europeus, pois não produzimos para o que gastamos, o que só é possível com dinheiro emprestado. Verdade, mas a destempo e imoral, pois é um dos privilegiados com o aumento da dívida.
Também as parcerias público-privadas, só começaram a ser postas em questão em finais de 2010, como se a desorçamentação provocada por essas habilidades fosse uma novidade. A máquina da propaganda do governo foi sempre muito forte, mas competia a quem dispunha de dados irrefutáveis sobre o precipício para que caminhávamos, clamar com energia. Nada disso se passou, todos têm a sua quota parte na derrocada, que agora não se cansam de apregoar. Previsões servem exactamente para prevenir, acautelar e escolher outros caminhos. Prevenir sobre ajustamentos quando já estão em curso, muito obrigado a gente dispensa.
O corporativismo do poder e dos que estão na esfera do poder, usa a opinião pública a seu bel-prazer, porque os sacrifícios ditados pelos seus doutos pareceres e colossais erros, recaem sempre sobre o mesmo: o Zé.
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