ECONOMIA

Um leitor do JRW colocou amavelmente um comentário, sugerindo um post que abordasse a economia europeia, particularmente; os mercados, manipulação e especulação, na visão do redactor e não na dos órgãos de comunicação social.
Em jeito de introdução, refira-se que o JRW é um blogue despretensioso, que apenas pretende divertir os que fazem o obséquio de nos visitarem, mistificando a realidade com alguma ficção, aproveitando a actualidade nas suas facetas mais insólitas, ou caricatas. A política e a contradição dos políticos, são os nossos meios preferidos, até pela proficuidade das notícias que todos os dias nos chegam. Porém, não invalida que façamos incursões por temas que enfrentemos com seriedade. Este é o caso, mas é importante dizer, que o que vamos escrever sobre a matéria, é uma síntese da opinião de alguns especialistas, a que não temos a veleidade de acrescentar muito mais, pois são autoridades em matéria de análise macro-económica e as incidências na microeconomia.
Fazendo com muito prazer a vontade ao leitor e que nos perdoe por alguma desilusão perante o articulado

EUROPA GEOGRÁFICA E DEMOGRÁFICA

Europa é o segundo menor continente em superfície do mundo, cobrindo cerca de 10 180 000 quilómetros quadrados ou 2% da superfície da Terra e cerca de 6,8% da área acima do nível do mar. Dos cerca de 50 países da Europa, a Rússia é o maior tanto em área como em população (sendo que a Rússia se estende por dois continentes, a Europa e a Ásia) e a Cidade do Vaticano é o menor. A Europa é o terceiro continente mais populoso do mundo, após a Ásia e a África, com uma população de 731 milhões ou cerca de 11% da população mundial. No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas (estimativa média), o peso europeu pode cair para cerca de 7% em 2050.Em 1900, a população europeia representava 25% da população mundial.



A UNIÃO EUROPEIA

A União como unidade económica e perspectiva de alguma coesão política, consignada no Tratado de Lisboa, é constituída por 27 países: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido; Grécia, Portugal, Espanha, Áustria, Finlândia, Suécia, República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Bulgária e Roménia.
A população combinada de todos os 27 estados-membros, foi estimado em 501 259 840 em janeiro de 2010.


O ENQUADRAMENTO MACRO PÓS CRISE
Devido à crise financeira e económica, a actual década será recordada como a década do endividamento público e, no que diz respeito a alguns países ou regiões, talvez até mesmo a década do permanente descarrilamento orçamental - isto se nada for feito em contrário. A título de exemplo, na União Europeia, a dívida pública nos países mais importantes da Zona Euro e da UE poderá ascender a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) ou mais, só nos próximos dez anos.
Algo tem de ser feito, mas o mais provável é que isso não seja suficiente. Para ser suficiente, seria preciso que se reduzissem os défices orçamentais anuais em 0,5% do PIB em cada ano da próxima década, simplesmente para melhorar a sustentabilidade média da dívida governamental. No entanto, esse efeito tem de vir acompanhado da retirada dos actuais pacotes de estímulo orçamental que todos os países implementaram.
Uma consolidação orçamental anual equivalente a 1% do PIB poderia, no decurso dos próximos dez anos, reduzir a dívida pública para cerca de 60% do PIB - o tecto imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia. Contudo, no que diz respeito a alguns países, como a Grécia, Irlanda e Espanha, isso não será suficiente para atingirem níveis sustentáveis de endividamento em 2020.
As baixas taxas de juro de longo prazo são uma coisa do passado. À medida que os défices governamentais e a dívida pública vão aumentando em muitas economias desenvolvidas e emergentes, o mais provável é que os mercados financeiros exijam prémios de risco mais elevados, devido ao intensificar de receios de eventuais incumprimentos e de inflação que se perfilam no horizonte. Assim sendo, não só a dívida pública deverá continuar a aumentar muito mais rapidamente do que o crescimento nominal do PIB, como também os governos terão de consagrar uma crescente fatia das suas receitas ao pagamento de juros
Nos próximos anos, tudo aponta para que a consolidação total aumente para cerca de 9% do Produto Interno Bruto. O mesmo acontece com os Estados Unidos, com o Reino Unido e com as cinco maiores economias da Zona Euro (Alemanha, França, Itália, Espanha e Holanda).
Mesmo que se implementem todas essas reduções dos défices, todas as previsões de crescimento económico para os anos subsequentes, do qual depende a consolidação orçamental, são irrealistas. A Comissão Europeia já veio dizer que as projecções de vários governos europeus para o crescimento do PIB, apresentadas nos seus planos de austeridade orçamental para os próximos anos, são excessivamente optimistas.
Por outras palavras, o crescimento económico vai acabar por ser, em termos estruturais, muito menor do que os números que actualmente se utilizam para estimar os défices e a dívida. Não é, pois, de admirar que a Comissão Europeia tenha advertido para o facto de a expansão orçamental vinculada à crise e ao envelhecimento da população suscite dúvidas quanto à sustentabilidade das finanças públicas na União Europeia.
As crises são o resultado inevitável da acumulação de riscos e de vulnerabilidades em matéria de macroeconomia, finanças e política: bolhas de activos, excessiva alavancagem e tomada de riscos, períodos de expansão do crédito, flexibilidade monetária, inexistência de uma adequada supervisão e regulação do sistema financeiro, ambição e investimentos de risco por parte da banca e de outras instituições financeiras.
As crises como a que vivemos recentemente começaram por ser impulsionadas pela elevada dívida e excessiva alavancagem entre os agentes do sector privado - agregados familiares, bancos e restantes instituições financeiras, bem como empresas em geral. Isto acabou por levar a uma re-alavancagem do sector público, uma vez que os estímulos orçamentais e a socialização das perdas do sector privado - os chamados programas de resgate - provocaram um perigoso aumento dos défices orçamentais e a acumulação de dívida pública.
A acumulação de dívida pública a par com a dívida privada, comporta um elevado custo. Esses enormes défices e dívidas, acabam por ter de ser reduzidos através de um aumento dos impostos e de um corte na despesa, e essas medidas de austeridade - necessárias para se evitar uma crise da dívida pública - tendem a desacelerar a retoma económica no curto prazo. Se os desequilíbrios orçamentais não forem solucionados através de cortes nas despesas e do aumento das receitas, só restam duas opções: inflação nos países que obtêm crédito na sua própria moeda e que conseguem monetizar os seus défices; ou incumprimento do pagamento da dívida nos países que obtêm crédito em moeda estrangeira ou que não podem emitir a sua própria moeda.
Os recentes acontecimentos na Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, são apenas a segunda etapa da recente crise financeira global. A socialização das perdas do sector privado e a flexibilização orçamental destinada a estimular as economias em apuros, conduziram a uma perigosa acumulação de défices orçamentais e de dívida pública. Portanto, a recente crise financeira global ainda não terminou; na verdade, simplesmente chegou a uma nova etapa ainda mais perigosa.
Com efeito, seria uma ingenuidade acreditar que a crise é a única razão pela qual as finanças públicas estão em mau estado. As mudanças na economia global, de uma década de elevado crescimento estrutural para um prolongado período de crescimento baixo, estão também a desempenhar um papel crucial.
Durante os últimos 20 anos, o crescimento económico baseou-se no aumento dos preços dos activos e na redução dos custos com o empréstimo, tanto para as famílias como para as empresas. Esse mecanismo terminou de forma irremediável.
As crises são o resultado inevitável da acumulação de riscos e de vulnerabilidades em matéria de macroeconomia, finanças e política: bolhas de activos, excessiva alavancagem e tomada de riscos, períodos de expansão do crédito, flexibilidade monetária, inexistência de uma adequada supervisão e regulação do sistema financeiro, ambição e investimentos de risco por parte da banca e de outras instituições financeiras.

GÉNESIS DA CRISE E OS MERCADOS

Depois de uma década em que os salários aumentaram mais rapidamente do que a produtividade, o custo unitário da mão-de-obra (e a taxa de câmbio real baseada nesses custos) aumentou substancialmente. A consequente perda de competitividade, manifestou-se através de um enorme e crescente défice das contas correntes e de uma desaceleração do crescimento. O golpe de misericórdia foi a valorização do Euro entre 2002 e 2008.
A contracção orçamental poderá, pelo menos no curto prazo, agravar ainda mais a actual recessão, à medida que os impostos mais elevados e o menor consumo forem reduzindo a procura agregada. Se o PIB registar uma contracção, torna-se impossível alcançar um determinado objectivo em matéria de défice e de dívida (proporcionalmente ao PIB). Esta foi a armadilha mortal da dívida, na qual caiu a Argentina entre 1998 e 2001.

Restabelecer a via do crescimento sustentado é algo que requer uma real depreciação da moeda. E só há três formas de isso acontecer.

1ª-Uma deflação que reduza os preços e salários entre 20% e 30%. Mas a deflação está associada a uma recessão persistente (temos novamente o caso da Argentina) e nenhuma sociedade e sistema político de um país pode aceitar anos de recessão e de austeridade orçamental com o intuito de se conseguir uma real depreciação da moeda. O incumprimento e a saída da Zona Euro aconteceriam muito antes disso.

2ª-Consiste em seguir o modelo alemão de aceleração de reformas estruturais e de reestruturação a nível empresarial, de modo a incrementar o crescimento da produtividade, ao mesmo tempo que se mantém moderado o crescimento salarial. Mas a Alemanha demorou uma década a reduzir os seus custos unitários da mão-de-obra por essa via; se a Grécia ou Espanha começassem a fazê-lo hoje, os custos no curto prazo em termos de redistribuição de recursos seriam enormes, ao passo que os benefícios em termos de maior crescimento demorariam anos a serem obtidos.
3ª- O Euro desvalorizar fortemente que antes que a depreciação da divisa pudesse trazer benefícios, o aumento dos referidos "spreads" provocaria uma recessão em forma de W na Zona Euro.
A título de exemplo e a menos que haja um milagre, a Grécia parece estar próxima da insolvência. No início da crise na Argentina, o seu défice orçamental, a dívida pública e o défice das contas correntes (proporcionalmente ao PIB) rondavam os 3%, 50% e 2%, respectivamente. Esses rácios na Grécia são muito piores: 12,9%, 120% e 10%.
No entanto, tal como aconteceu com a Argentina, a Rússia e o Equador, a Grécia poderá também ficar insolvente se os ajustamentos não forem suficientes para restaurar a sustentabilidade da dívida e o crescimento, Por agora, a comunidade oficial decidiu agarrar-se ao plano de resgatar as insuficiências de financiamento no mercado; se ele falhar, o Plano B é o incumprimento, de modo a reduzir as dívidas insustentáveis, e a saída da Grécia da Zona Euro de forma a poder depreciar a sua moeda e a recuperar a competitividade e crescimento. Portugal, Espanha e a Itália poderão ter percursos idênticos.
Nos países que não podem emitir dívida na sua própria moeda (que são, tradicionalmente, as economias dos mercados emergentes), ou que emitem dívida na sua própria moeda, mas que não podem cunhar moeda de forma independente (como acontece com os membros da Zona Euro), os insustentáveis défices orçamentais levam frequentemente a uma crise do crédito, ao incumprimento soberano ou a outras formas coercivas de reestruturação da dívida pública.
Assim, os recentes problemas enfrentados pela Grécia são apenas a ponta de um iceberg da dívida soberana em muitas economias avançadas (e num número mais pequeno de mercados emergentes). Os investidores dos mercados obrigacionistas já puseram na sua mira a Grécia, Espanha, Portugal, Reino Unido, Irlanda e Islândia, catapultando para níveis bastante elevados as rendibilidades das Obrigações do Tesouro destes países. E poderão acabar por colocar na mira outros países - até mesmo o Japão e os Estados Unidos - onde a política orçamental está a seguir uma via também considerada insustentável.
Na maioria das economias avançadas, o envelhecimento das populações - um sério problema na Europa e no Japão - exacerba o problema da sustentabilidade orçamental, uma vez que a diminuição dos níveis demográficos, aumenta o encargo do passivo não financiado do sector público, especialmente os sistemas da segurança social e dos cuidados de saúde. Um crescimento populacional baixo ou negativo implica também um menor potencial de crescimento económico e, por conseguinte, uma pior dinâmica no rácio entre a dívida e o PIB, intensificando os receios em torno da sustentabilidade da dívida do sector público.
Nos países como os que fazem parte da Zona Euro, uma perda da competitividade externa, provocada pela rígida política monetária e uma moeda forte, a erosão da vantagem comparativa de longo prazo face aos mercados emergentes e o aumento dos salários superior ao crescimento da produtividade, impõem condicionalismos adicionais para que volte a haver crescimento. Se o crescimento não retomar, os problemas orçamentais irão piorar, ao mesmo tempo que será politicamente mais difícil aprovar as penosas reformas necessárias para o restabelecimento da competitividade.
Assim sendo, existe a possibilidade de se instalar um círculo vicioso de défices das finanças públicas, desfasamentos das contas correntes, deterioração da dinâmica da dívida externa e estagnação do crescimento. E isso poderá acabar por levar ao incumprimento da dívida externa e do sector público de membros da Zona Euro, bem como a uma saída da união monetária por parte das economias frágeis que não forem capazes de se ajustar e levar a cabo reformas com rapidez suficiente.
A injecção de liquidez por parte de um credor internacional de último recurso - o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional ou até mesmo um novo Fundo Monetário Europeu - poderá evitar que um problema de falta de liquidez se transforme num problema de insolvência. Mas se um país estiver efectivamente insolvente, em vez de ter apenas problemas de falta de liquidez, esses "resgates" não conseguirão evitar eventuais incumprimentos e desvalorizações (ou a saída de uma união monetária), pois o credor internacional de último recurso acabará por parar de financiar uma insustentável dinâmica da dívida, tal como aconteceu com a Argentina (e com a Rússia, em 1998).

Sanear a elevada dívida do sector privado e reduzir os rácios de endividamento do sector público, somente através do crescimento, é uma tarefa particularmente difícil se uma crise do balanço provocar uma retoma anémica. E reduzir os rácios de endividamento através de poupança acaba por nos conduzir ao paradoxo do aforro: um aumento demasiado rápido das poupanças agrava a recessão e deteriora ainda mais os rácios de endividamento.
Os problemas associados à dificuldade de controlar o endividamento privado, têm de ser resolvidos através de falências, reduções de dívida e conversão de dívida em acções. Se, em vez disso, o endividamento do sector privado for excessivamente socializado, as economias avançadas terão à sua frente um futuro sombrio: sérios problemas de sustentabilidade no que diz respeito às suas dívidas pública, privada e externa, de par com perspectivas perturbadoras para o crescimento económico.


A ESPECULAÇÃO
Os preços do ouro têm vindo a subir fortemente, tendo superado a barreira dos 1.000 dólares por onça e aproximando-se, nas recentes semanas, do patamar dos 1.200 dólares.
As cotações do ouro disparam apenas em duas situações:
1ª-Quando a inflação está elevada e com tendência para continuar a subir, o ouro torna-se numa cobertura contra a inflação.
2ª-Quando existe o risco de uma quase depressão e os investidores receiam pela segurança dos seus depósitos bancários, o ouro assume o estatuto de valor-refúgio.
Os últimos dois anos encaixam--se neste padrão. As cotações do ouro começaram a subir fortemente no primeiro semestre de 2008, quando os mercados emergentes estavam a sobreaquecer, os preços das matérias-primas estavam a subir e havia receios de um aumento da inflação nos mercados emergentes de forte crescimento.
A segunda escalada de preços ocorreu quando o Lehman Brothers colapsou, deixando os investidores assustados em relação à segurança dos seus activos financeiros - incluindo os depósitos bancários. Esse pânico foi controlado quando o G-7 se comprometeu a aumentar as garantias sobre os depósitos bancários e a apoiar o sistema financeiro. Quando a situação ficou mais calma, em finais de 2008, os preços do ouro retomaram o movimento de queda. Nessa altura, com a economia global a entrar numa quase depressão, a utilização comercial e industrial do ouro, e mesmo a procura por parte do sector do luxo, caíram ainda mais.
O ouro voltou a superar os 1.000 dólares por onça em Fevereiro-Março de 2009, quando parecia que a grande maioria do sistema financeiro dos Estados Unidos e da Europa poderiam estar perto da insolvência e que muitos governos poderiam não conseguir garantir os depósitos e sustentar o sistema financeiro, pois os bancos que eram demasiado grandes para falir, eram também demasiado grandes para serem salvos.
Esse pânico diminuiu - e os preços do ouro voltaram a inverter para a baixa - depois de os bancos norte-americanos terem sido submetidos aos "stress-tests”. Estes testes tiveram como intenção perceber a capacidade de as instituições financeiras em causa sobreviverem à recessão e à crise financeira mundial.
No entanto, uma vez que o ouro não tem valor intrínseco, existem fortes riscos de uma correcção dos preços para a baixa. Os bancos centrais acabarão por ter de abandonar as políticas de facilitação quantitativa - injectar liquidez no sistema financeiro- e de taxas de juro em torno do zero, o que exercerá uma pressão baixista sobre os activos de risco, onde se incluem as matérias-primas. E a retoma global pode acabar por se revelar frágil e anémica, levando a um maior sentimento "bearish" em relação às "commodities" - e "bullish" face ao dólar.
O recente aumento das cotações do ouro só é parcialmente justificado pelos fundamentais económicos. E também não é muito claro, por que razão devem os investidores armazenar ouro se a economia global voltar a mergulhar na recessão e se os receios de uma quase depressão e de uma escalada da inflação se intensificarem fortemente.
As opiniões dos grandes estudiosos sobre a matéria a que recorremos, suportam superiormente a nossa interpretação sobre o tema, ainda que não haja juizos definitivos e muito menos são apontadas soluções, que de uma forma clara possam conduzir a resultados satisfatórias, tantas são as variáveis com comportamento desconhecido e de previsibilidade pouco credível. Optamos pelo diagnóstico e pela análise ainda que sintética, das terapêuticas implementadas pelos vários actores com responsabilidade política e dos riscos que elas comportam.

(O texto do artigo na sua generalidade, é baseado em artigos de opinião de:

- Sylvester Eijffinger é professor de Economia Financeira na Universidade de Tilburg, na Holanda.
- Edin Mujagic é um economista especializado em assuntos monetários na Universidade de Tilburg.
- Nouriel Roubini é professor de Economia na Stern School of Business, Universidade de Nova Iorque)

ECONOMIA ALIMENTAR

                
                          Do jardim para o prato


As flores comestíveis estão na moda, mas é melhor conhecê-las antes de as trincar. Eis cinco a não perder.
Saborear pétalas de rosa, comer um amor-perfeito ou trincar uma orquídea pode parecer estranho, mas as flores regressaram aos pratos. Já na Antiguidade e na Idade Média se traziam flores do jardim para a mesa. Hoje, estão disponíveis em alguns hipermercados, na prateleira junto aos legumes frescos
Entre as flores mais utilizadas na cozinha estão a flor de alecrim, de salva, de laranjeira, de courgette, de capuchinha (ou chagas), as rosas, a borragem, os amores-perfeitos e as orquídeas. Consoante o prato, podem ser servidas as flores inteiras ou apenas as pétalas.

A notícia do Expresso pela novidade, ainda que relativa, estimulou o JRW a sondar o mercado do produto, de forma a avaliar como evolui, perante a alteração dos padrões alimentares.

Abordamos D. Luisa Malafaia, responsável pela florista POSTIGO DAS TAIPAS, que nos deu a sua opinião.



P- D. Luísa, pelo que nos é dado ver, a loja parece um minimercado…
R- É verdade, o mix do n/ cliente mudou. Antes tínhamos pessoas que vinham comprar bouquets para oferecer a noivas, namoradas e outras ocasiões. Palmas para funerais, também constituíam parte substancial do negócio.
P- E agora, qual é a mudança?
R- Alterou-se por completo, agora os clientes vêm comprar as flores, para as comer, até pode ser que enfeitam a casa nos 2 primeiros dias, mas depois comem-nas. Temos senhoras que nos dizem, que põem as rosas nas jarras durante o fim de semana, mas na 2ª feira, fazem um belíssimo consumé de rosas seguido de fricassé de bacalhau rosado. Dizem que é óptimo e corta o cheiro desagradável do bacalhau.
P- Pelo que vemos, ali tem um snack bar...
R- Exactamente servimos refeições e lanches frugais. Temos praticamente toda a gama de flores para snacks, até inclusive francesinhas de hortênsias, que é uma especialidade nossa muito apreciada. Por exemplo hoje ao almoço, o prato foi caldeirada de celósias, cravinas e frésias. A sobremesa foi tarte de margaridas.
Ao pequeno almoço, que servimos até às 10, normalmente temos sumo de narciso, com torradinhas barradas com manteiga de rosa amarela.
É evidente que também temos pratos a la carte, saliento a nossa açorda de tulipas, bem como as cerejeiras com molho picante, acompanhadas por uns crisântemos ligeiramente braseados.
P- O objecto do negócio mudou completamente...
R- Não, o objecto mantém-se, só que antes era para ornamentar, agora as flores servem para ornar e comer. Temos um serviço de take-away com muito sucesso, pois muitas donas de casa, após o dia de trabalho, não estão dispostas para cozinhar. Temos embalagens familiares com refeições confeccionadas e prontas a comer muito variadas: rojões com cravos; frango com cravos e flores de cenoura, angélicas à braz; astromeias à Gomes de Sá, etc.
P- E a venda de palmas e flores ornamentais?
R- Decaiu muito, nós aqui só trabalhamos com flores da melhor qualidade e de produtores referenciados. Como sabe este negócio é susceptível de comportamentos menos escrupulosos, temos tido tentativas de nos venderem flores que já estiveram em cemitérios e em eventos, que nos pretendem vender com grandes reduções de preço, pois são flores recondicionadas, para aproveitamento culinário. Recusamos terminantemente e até informamos as autoridades sanitárias. Aqui os produtos passam por um rigoroso controlo de qualidade e só aceitamos flores nos vasos ou em canteiro móvel.
P- D. Luísa Malafaia, o custo das refeições é acessível?
R- Há para todas as bolsas, é evidente que uma açorda de tulipas, ou orquídeas estufadas em molho de vinho branco, têm um custo mais elevado e a refeição neste caso, pode chegar a 75 euros 2 pax. No entanto rosas com gambas, ou cravos flamejantes com erva doce, são pratos mais acessíveis e um casal pode fazer um jantar por 45 euros, sem vinho como é evidente.
P- Projectos para o futuro...
R- Estamos a elaborar um estudo para abertura de um RESTFLOWER POSTIGO DAS TAIPAS, nas docas em Lisboa e um perto do Parque da Cidade no Porto, pretendemos envolvências de acordo com o nosso objecto social, portanto bem ajardinadas, para que as pessoas sejam estimuladas a uma boa refeição floral.



O JRW leva até aos leitores esta opinião de uma conhecida florista portuguesa, que antecipou novas oportunidades para um produto que se julgava destinado a um fim diferente, do que os tempos actuais lhe atribuíram.

GENÉTICA


Testes de paternidade: Exames proibidos nas farmácias poderão ser vendidos nos supermercados e noutros estabelecimentos comerciais.
(NOTICIA DO PUBLICO)

O UNODNA, - o teste de paternidade que revolucionará entre outros: a toponímia nacional, listas telefónicas, bilhetes de identidade, cartas de condução, contas bancárias, heranças divisas e indivisas, corpos sociais de empresas, parentescos, direitos de propriedade, direitos ao bom nome, devedores e credores, mortes e reencarnações – estará à venda em supermercados, mercearias, tabacarias e na FNAC.

O JRW mais uma vez na linha da frente, foi auscultar o cidadão comum e um responsável da mercearia fina PÉROLA DO BOLHÃO, que tem já à venda o maravilhoso produto, que é o contributo da indústria farmacêutica para a nova ordem mundial.
Cirilino Costa, reformado da CP, cidadão de 65 anos, viúvo, pai de 2 filhos, à nossa questão sobre a utilidade do novo produto e da facilidade de aquisição, respondeu-nos:
- Acho uma boa medida. Tenho 2 filhos, que nunca me convenci que fossem meus, era fiscal no sud-express e estava muitas vezes no estrangeiro. A minha falecida Laura, era boa mulher, mas muito fogosa, sempre duvidei da paternidade dos rapazes. Vou saber a verdade e depois vou decidir. Se o pai for outro, vou ter uma conversa com os moços para chegarmos a um acordo. Têm que me devolver tudo o que gastei com eles, um plano de pagamento a prestações, mas que passa a ser um complemento da reforma. É justo, andei a sustentar os filhos dos outros, mais vale tarde que nunca.
D. Rosana Durão, é uma grande opositora à comercialização do produto. Sobre o assunto, disse-nos:
-É mais um atentado ao casamento e à família. Que interessa saber essa minudência do pai biológico? O importante é a família. Para quê mexer no que se não deve mexer? Muitas das vezes, nem elas sabem quem foi, para quê estar a relembrar coisas que a vida já mandou esquecer? Só pelo negócio, apenas pelo negócio... Repare, tenho um filho que é homossexual, o pai passa a vida a dizer que não percebe como o rapaz é filho dele e eu sempre a rebater conforme posso, que a vida é outra, que a juventude não é como no nosso tempo, etc.
Se o moço é filho de uma relação ocasional que tive com um rapaz meio amaricado, mas que me deu a volta na altura, está a ver o problema…

Na PÉROLA DO  BOLHÃO falamos com Alfredo Galgo, sobre a venda do UNODNA.
P- Sr. Galgo, o produto tem tido boa reacção do público?
R- Nem por isso, muitas pessoas perguntam, querem saber para que serve, mas a maioria não compra. Diz que é gastar dinheiro para nada. Se prova que o filho é do cliente, nada muda, se não é…a mudança era tanta, que mais vale não mudar nada. Para mim também não é bom negócio, algumas pessoas mandam cá os filhos fazer as compras para o livro  dos fiados, se descobrem que o filho não é deles, dizem que não pagam o débito, que pague o pai dele…e eu não sei quem é….
P- Então quem tem sido o cliente tipo?
R- Não há cliente tipo…o que tem havido é a cliente tipo. Há muitas senhoras que têm muitas dúvidas…de quem foi o parceiro que as ajudou ao acto…e então compram confidencialmente…para terem a certeza…
P- É uma mercadoria perigosa…
R- Na realidade esta mercadoria só devia ser vendida com licença de uso e porte, como se de uma arma de defesa se tratasse. Nós vamos deixar de comercializar o produto, já que vai haver muitas reclamações, querem que o resultado esteja de acordo com o que esperam, caso contrário dizem que o teste está avariado. Ora nós não aceitamos devoluções e muito menos devoluções de filhos que não são dos clientes. A reacção normal, será entregarem aos estabelecimentos comerciais que venderam o teste, os filhos que não são seus...
P- Qual foi a política de venda do produto?
R- Considerando os riscos expostos, nós decidimos que não venderíamos o produto isoladamente. O cliente terá de adquirir outras mercadorias da mercearia, no valor de 250 euros, para poder adquirir um teste. Sempre que vendemos uma unidade, comunicamos à PSP a morada do cliente. Se for homem, é obrigatório a entrega do registo criminal.
P- O teste é comparticipado?
R- É pela Ordem dos Advogados e Associação dos Agentes Funerários, em cerca de 25 %, no caso do teste se mostrar negativo, ou seja, que o adquirente não seja o progenitor do testado. Caso contrário, o teste é suportado pelo cliente. Tem de ser preenchido um formulário pelo falso pai e falso filho, para que haja direito à comparticipação, que deverá ser confirmado pela mãe do testado, indicando os prováveis nomes dos supostos pais. A mãe do testado poderá indicar até 5 nomes e os respectivos locais da ocorrência, se fora da residência do casal. Se a concepção foi na residência, o marido deverá apresentar justificativo, em como à data estava ausente.
P- Não é muito burocrático, para a comparticipação?
R- Realmente parece-nos muito pesado o procedimento, mas as possibilidades de fraude são muitas, aguarda-se que muitos pais menos escrupulosos aproveitem para despachar filhos e esposas, falsificando resultados para justificar debandadas.
P- Uma pergunta final, os filhos e filhas também poderão adquirir o teste?

R- Comercializamos o teste jovem, vocacionado para um público adolescente, que poderá adquirir o teste com 45 % de desconto se apresentar o Cartão Jovem. Não tem a mesma composição do teste para adultos e apresenta um resultado apenas com duas hipóteses: é filho do cidadão, ou há dúvidas que seja. A marca pretendeu preparar o jovem para a eventualidade de ter de mudar de família. Um simples cabelo do pai, ou no caso deste ser calvo, um pouco de saliva, são suficientes para a realização do teste. Se tiver dúvidas sobre a mãe , poderá adquirir o Mother Test, por um preço muito acessível, que lhe possibilitará conhecer com exactidão a ascendência. Se optar pelo 2 em 1, o jovem, com um desconto de 50 %, terá um teste eficaz sobre a mãe e praticamente definitivo sobre o provável pai.
O JULIUS RIMANTE WORLD levou até aos leitores, a opinião de cidadãos anónimos sobre os testes de paternidade, bem como uma exaustiva explicação do responsável da PÉROLA DO BOLHÃO que comercializa os UNODNA, na cidade do Porto.

POLITICA

                            TRIBUNAL DE CONTAS



ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS…
-MUNICÍPIO DE LAGOA
– 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €
-CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES
– VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €
- MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA
-AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS:1.236.000,00
-CÂMARA MUNICIPAL DE SINES
– Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €
-MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA
– AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €
-MUNICÍPIO DE BEJA
– Fornecimento de 1 fotocopiadora, “Multifuncional do tipo IRC3080I”, para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €

O JRW foi junto de alguns organismos, saber das razões das dúvidas do TC, pois as mesmas estão a colocar reticências à idoneidade dos funcionários envolvidos. O alarido à volta do assunto, retrata a situação que se vive, em que quaisquer gastos na Administração Pública e Local, têm um cariz despesista.

Em Loures, falamos com o encarregado das compras, Gilberto Castro, que nos recebeu muito amavelmente, apesar de estar num estado um pouco alegre.
P- Confirma-se o gasto de 652.000.00 euros em compra de vinho branco?
R- Confirma-se sim senhor. Porque devolvemos cerca de 2.500 garrafões, caso contrário seria 680.000.00 euros.
P-Mas não acha excessivo tanto vinho?
R-Nem por sombras. É uma pinga da melhor qualidade, cada residente teve direito a 5 garrafões. Cada munícipe que se deslocasse aos serviços camarários, levava 3 garrafas, sem excepção. O atendimento foi de tal forma bem acolhido, que tivemos muitas pessoas de outros municípios a vir tratar dos assuntos aqui, do Algarve, do Porto, Bragança, até gente de Espanha veio tratar dos assuntos camarários aqui. Eu trabalho cá há 20 anos e nunca vi tanta actividade municipal como o ano passado.
P- Mas está tudo documentado?
R- Claro que está, aqui sempre se cumpre a lei escrupulosamente. Facturas de todo o vinho, até dissemos para parar, pois já havia mais facturas que vinho, o que é natural, os facturadores também são do município e já tinham provado muito a mercadoria...
P- Estamos a ver....mas então as dúvidas do Tribunal?
R- Excesso de zelo.....é ciúme de não serem do município e não terem cheirado nada....



O JRW foi a Vale de Cambra falar com o director do serviço de viaturas, a esclarecer a tal compra de uma viatura ligeira de mercadorias por 1.236.000.00 euros.
Luís Godinho, atendeu-nos.
P- 1.236.000.00 para um ligeiro de mercadorias é um pouco excessivo...
R- Não pense nisso, ainda não viu a máquina e já está a dar a sua opinião.Venha ver.
Lá seguimos Godinho até ao cais de caminho de ferro. Fomos então ver a razão do alarido- trata-se de um TGV para transporte de mercadorias novinho em folha.
P- Os senhores compraram um TGV?
R- Novinho em folha, clindrada 25.500 cc, ar condicionado nas 7 carruagens, música ambiente, tv cabo e carruagem restaurante incluída, que acha?- perguntou-nos o director, com um sorriso rasgado, a perceber a nossa estupefacção....
P- Mas isto é necessário?
R- O Presidente cansou-se do vai haver TGV, não vai haver e....zás antecipou-se e comprou um de surpresa.
P- Mas o TC está a implicar...
R- Não faz mal, isso passa, o equipamento está cá para quem quiser cá vir.
P- Mas não há carris para o comboio...
R- Isso resolve-se para o ano, aqui somos conscientes, não pode ser tudo ao mesmo tempo. Gasta-se, mas de acordo com o orçamento, nem mais um cêntimo. Para o ano já vai ter o TGV de Vale de Cambra até Arouca. Nesta terra há obra.
P- Também foi adquirida uma viatura para transporte de crianças por 2.922.000 euros?
R- Naturalmente...
P- Mas foi muito dinheiro por uma carrinha...
R- Lá está você a emprenhar pelo que ouviu....venha ver.
Seguimos novamente Godinho, desta vez até a um descampado perto do centro de Vale de Cambra, vimos uma pista de aviação, lá estacionado um avião a jacto de médio porte...
P- A viatura é um avião????
R- Está a ver, como já viu. Claro que compramos um avião para as crianças. Aproveitamos uma campanha especial da construtora e o Presidente e bem, decidiu que tínhamos de ter um transporte rápido para as crianças, até para enraizar os munícipes à terra, que como sabe é prejudicada pela interioridade.
P- Mas o avião tem muitos gastos de manutenção...
R- Nem por isso, as revisões são de 500.000 em 500.000 klms e temos 3 gratuitas. O piloto é o mesmo motorista que andava com a Hiace. Aqui pensa-se em tudo...nada foi ao acaso e só depois de muitos estudos: ambientais, paisagísticos, engenharia alimentar, pareceres da DGOT, Ministério da Educação, Associação de pais e sei lá mais o quê....é que se decidiu comprar a viatura....tudo como mandam os procedimentos.


Finalmente fomos a Sines, conversar com Cabrita Pato, para nos esclarecer sobre a tenda que custou à edilidade : 1.236.500.00 euros, para inaugurar o Museu do Castelo.
P- Dr. Pato, confirma-se o preço do aluguer da tenda em 1.236.500.00 euros?
R- Rigorosamente, nem mais nem menos...por 3 anos.
Respondeu-nos prontamente o responsável pelo Património da Câmara de Sines.
P- Mas é muito dinheiro, por uma tenda....
R- Não e barata, é verdade, mas uma tenda que cobriu o Castelo todo e inclusive se aproveita nos dias mais chuvosos para cobrir todo o porto de Sines e que facilita o movimento portuário, já não me parece tão caro. A tenda tem uma área de 45 klm2, o que significa que podemos cobrir desde Sines até Santiago do Cacém. Tem vários módulos e temos um departamento que os aluga a particulares e instituições. Posso-lhe adiantar que estamos em fase final de contratualização, com um município algarvio para cobrir toda a praia, para evitar os perigosos dos raios ultravioletas. Se tudo correr como pensamos, teremos de alugar em 2010, mais uma tenda de 30 klm2, para poder responder a todos os pedidos. Tê-lo-iamos feito já em 2009, mas o orçamento é sempre curto...
P- Então o aluguer foi feito com duplo sentido?
R- Duplo...não....triplo, pois a tenda tem 3 coberturas e tem um processo de autolimpeza, que evita muita mão de obra.



O JRW deixa aos leitores o julgamento isento, sobre as acusações que impendem sobre os autarcas, que nos casos apresentados se revestem totalmente infundadas, pois o objectivo que fica bem vincado, foi o serviço às populações, aproveitando sinergias e numa perspectiva política de futuro.

OS PÁSSAROS-I


“Que chatice…aqui no meio desta trupe…” – pensamento de Giza, na estação do metro da Trindade, enquanto esperava a ligação que a levasse até Fonte do Cuco, onde habita um pequeno T1, que comprou com os honorários dos programas do Herman e de outros, em que se despia e se sujeitava ao ridículo, mas que dava algum dinheiro…
A estação estava apinhada, para os regressos a casa, após o dia de trabalho, com gente à espera dos comboios de superfície, que só raramente vão pelo subsolo… Do outro lado, no cais do que segue para o Dragão, estava um homem absorto nos seus pensamentos, meio cabisbaixo, com o Metro debaixo do braço, fato cinzento de outlet, camisa sem aprumo e gravata a condizer. No seu vaguear de olhar sem ver, cruzou sem atenção especial, a mulher que estava do outro lado do cais, que também o descortinou no meio de cabeças, que só a espaços lhe concediam pequenas clareiras que abriam o campo de visão. O eng.º mecânico Zé Lopes, desempregado, já lá vão 4 meses, sem grandes motivos de alegria nos últimos tempos, pausou então o olhar naquela mulher de cerca de 50 anos, mais 10 do que ele, que lhe deu um sorriso um pouco discreto, mas de qualquer modo um sorriso.
Giza adivinhava-se que quando jovem, foi uma mulher bonita e de físico impressivo, pois ainda agora, anteviam-se umas pernas bem desenhadas e fartas coxas, debaixo de uma saia um pouco curta para a idade, mas sem ser ostensiva. O implante mamário, estava à vista, pois o decote era propositado para que se percebesse. Em síntese uma mulher madura, mas ainda em muito bom estado. Ela sabia-o, pois não teve qualquer inibição de fazer o seu charme a um homem com menos 10 anos.
O eng.º Zé, divorciado, chegado ao Porto à 25 anos para estudar, oriundo da Lourinhã, sempre foi pouco afoito a conquistas, tímido por índole, recatado, passou pelo casamento muito rapidamente, pois a mulher incompatibilizou-se com a monotonia do temperamento do marido e após 2 anos de enlace, desenlaçou-se para se entrelaçar com um colega de trabalho, ela era hospedeira da CP e enamorou-se por um bilheteiro da companhia, Zé a partir daí, sempre viu no sexo oposto, algo de pouca confiança, aliás passando a seguir os conselhos da mãe, que sempre o advertiu sobre as moças da cidade, que seriam mais para passeio, que para a grande viagem.
Como a grande viagem do Eng.º Lopes foi interrompida abruptamente pelo malfadado bilheteiro, a partir daí até o passeio foi posto de lado. Levava uma vida muito insípida, a sua maior emoção, era ir à Fnac ao sábado à tarde e à Casa da Música, sempre que havia um concerto de música clássica, os bilhetes eram baratos e o subsidio de desemprego, não dava para mais. Como teve de vender o corsa, o transporte público era o recurso, particularmente o metro.
Olhou novamente Giza e desta vez afoitou-se, sorriu sem inibição e ela correspondeu com um sinal, para ele mudar de cais e vir ao seu encontro.
Lopes anuiu com a cabeça e desceu as escadas para ir ao encontro daquela mulher, que já não sendo jovem, tinha um belo porte e um sorriso atraente. Algo lhe dizia que a vida dele ia mudar……e mal ele sabia como ia mudar…
“Boa noite, desculpe a ousadia, mas...”, arremete o eng.º educadamente e com algum receio de uma rejeição, pois a autoestima não é sentimento que lhe seja muito comum...
“ Boa noite, se é que com esta confusão toda, a noite comece bem...”, respondeu gracejando Giza, mirando Lopes bem nos olhos, plena de autoconfiança, que de imediato hierarquiza o domínio no contacto.
“Tem toda a razão, está de regresso a casa?”
“Vamos ver...estava, agora talvez não...”- ataca a loira oxigenada, com alguma sedução, sem perder a feminilidade.
“Mas, porquê? Aconteceu alguma coisa para alterar os seus planos ?”- resposta carregada de ingenuidade e preocupação, que de imediato fez reflectir Giza, sobre se estaria perante um imbecil...
“Ó homem, o que quis dizer, é que se me convidar para um café, adio o regresso...”- dispara Giza algo contrafeita.
“ Zé Lopes, um criado ao seu serviço...”- salvou Lopes, com a delicadeza do cumprimento e o sorriso transparente...
Giza, percebeu de imediato que estava perante um homem de bom trato, sem esquemas, pouco experiente na arte da conquista, bom aspecto físico, mas um pouco desleixado. Optou por não ser demasiado expansiva, deixando que Lopes fosse tomando a iniciativa, para não o inferiorizar.
Toca um telemóvel, era o de Lopes, meio atarantado, tira-o do bolso do casaco, um Nokia de 1990, tamanho xl, pede desculpa a Giza e fala alguns monossílabos, Giza divertida com o atrapalhamento de Lopes, faz-se distraída, mas entendeu que era a mãe.
“Desculpe, era a minha mãe. Ainda não me disse o seu nome...”
“Quem a sua mãe???”
“ Não, a menina....”, retorquiu Lopes.
“ Ah....Giza Gomes.”
“Prazer menina Giza”- disse Lopes, cumprimentando-a com um aperto de mão.
Refira-se que Giza vivia uma situação embaraçosa, pois teve uma relação marital com um cidadão francês, que se envolveu em negócios obscuros, relacionados com moeda falsa, que acabou por a atingir, pois foi sentenciada com 3 anos de prisão, mas com pena suspensa. Trabalha actualmente numa casa de artigos religiosos na R. Das Flores. Ao ver Lopes, logo imaginou que seria o companheiro ideal, para recompor a sua imagem social e não só....“ "Vamos tomar um café, podemos ir aqui perto ?”
“ Claro, tenho muito gosto.”, disse Lopes
Lá foram, falando sobre aspectos da vida de cada um, mas ocultando aquilo que os pudesse comprometer, ela, a pena suspensa, ele, o desemprego.
Para uma mulher que viveu uma vida sempre de expedientes, trabalhar com horários e ordenado certo, mas baixo, consome-a, estava habituada a luxos, a roupa de marca, bom carro, férias nas Caraíbas e bons restaurantes. A vida actual é um inferno. A única relação que mantém com alguma assiduidade, é um diplomata francês, de 65 anos, que lhe vai ajudando às despesas da casa, em troca de disponibilidade sempre que a visita. Mas cada vez são mais rara as vindas. Giza é das que mais vale ser rainha por 1 minuto, que duquesa toda a vida.
Lopes, não se lhe afigura com o perfil para sair da borrasca, mas serve ao seu plano maquiavélico, para recuperar modo de vida.

Passado um mês do encontro, Lopes está completamente domesticado, a viver na Fonte do Cuco, fragilizado pelo conhecimento da sua situação de desempregado e submetido aos encantos de alcofa de Giza, que na matéria é devastadora, vive tempos de felicidade.
Assume todos os serviços domésticos e apoia Giza em tudo o que esta solicita. Lopes apaixonou-se e até à dependência foi um pulo. Vai buscá-la à casa de artigos religiosos quase todos os dias e assiste-a como um marido irrepreensível.
Uma noite, após sexo fogoso, em que Lopes foi arrasado, Giza dispara:
“ Zé, isto tem de acabar. Estou farta desta vidinha de pobre, Temos de fazer qualquer coisa para sair desta merda e viver a sério.”
“Mas Giza, a gente vive bem, com modéstia, mas felizes...”- responde o ingénuo Lopes.
“Como, felizes???? Deixa-te disso, felizes é ter dinheiro, para desbundar, gozar a vida. Nós aqui é para a sobrevivência, pouco mais...”
“ Tu lá sabes, mas eu até estou bem, sei que o subsídio é pequeno, mas ajuda, o pior vai ser quando acabar...”
“Vês.....vês....quando acabar, lá vais tu de requitó...eu não ganho prós 2...”
“Lá isso é verdade, mas eu ando à procura de trabalho, mas para eng.º de minas, não aparece nada....”
“Temos de fazer qualquer coisa...”
“ Mas o quê Gizinha, diz que eu faço...”
“Fazes?.....de certeza?...prometes?”
“ Prometo....”
“ Já ouviste falar do Berardo? “
“Já, aquele dos quadros valiosos...”
“ Do Baval ?”
“É o da PT”
“Sim...e do Ahmadinejad?
“Quem é esse?”
“ Do Irão”
“Ah estou a ver, mas porque perguntas isso tudo?”
“- Ouve bem tudo o que te vou dizer....”

(CONTINUA)

POLITICA

De um colaborador do JRW

                              "Sócrates e o ursinho"


José Sócrates começou a dedicar-se à caça e, com a sua conhecida mania
das grandezas, em vez de se dedicar às lebres ou às perdizes, resolveu
ir ao Alasca caçar ursos. Depois de vários dias à espreita, avistou um
urso grande, apontou e abateu o animal. Estava a pular de alegria,
quando sentiu uma pancadinha no ombro. Era um urso maior ainda,
sacudindo a cabeça em sinal de desaprovação:
- Não deverias ter feito isso - disse o urso - Mataste um dos meus
semelhantes, e agora vais ter de pagar. Preferes morrer ou ser
violado?
Diante das circunstâncias, o Sócrates escolheu a segunda alternativa,
entregando-se ao animal. Sobreviveu, mas jurou vingança.
Um ano depois, voltou ao Alasca disposto a matar o urso que o violentara. Avistou-o, apontou e abateu-o com um único tiro. Logo sentiu uma pancadinha nas costas. Era outro urso, muito maior do que o que ele tinha matado. O bicho repetiu o discurso do ano anterior:
- Mataste um dos meus semelhantes e vai ter de pagar. Preferes morrer ou ser violado?
Sócrates nem queria acreditar naquilo! A cena repetia-se! Jurando vingança, entregou-se ao animal monstruoso.
No ano seguinte, sedento duma desforra, voltou ao Alasca.
Avistou o gigantesco urso, apontou e abateu o animal com um tiro certeiro. E sentiu outra pancadinha nas costas. Era um urso descomunal, que disse:
- Diz-me a verdade, tu não vens aqui p'ra caçar, pois não?!

SOCIEDADE


De um colaborador do JRW, com pedido de publicação:
                              
                                             AMOR DE MÃE

No Rio de Janeiro..                                      Africa...                                


India...                                                        Oceano...                                                       


ESTACIONAMENTO DO SUPERMERCADO LIDL...

SOCIEDADE

 
Com a homologação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, vários casais estão já a preparar as cerimónias de enlace. É o caso de Manuel Correia, de 54 anos, e Fernando Fonseca, de 32.






O casamento civil está marcado para dia 27. Os 150 convidados reúnem-se na escadaria da Basílica da Estrela, em Lisboa. Foram convidados artistas e figuras públicas. O casal garante ter enviado convites para Cinha Jardim e as filhas, Isaurinha e Pimpinha, Carla Andrino, Paula Taborda, Carlos Veríssimo, Fernanda Freixo e a fadista Carmen Garcia. No entanto, os familiares do casal mantêm reservas na aceitação da relação.Ao CM, Manuel e Fernando desvendam pormenores do enlace e revelam o vestido de noiva que Manuel, ou melhor, a ‘Fernanda’, como é chamado pelo companheiro e amigos, vai vestir. ‘Fernanda’ emociona-se quando fala do amor pelo namorado. "É o amor da minha vida. Casar é o sonho que tenho desde que o conheci." O ‘marido’, como ‘Fernanda’ trata Fernando, não duvida dos sentimentos. "A Fernanda é a pessoa com quem quero viver o resto da vida."O vestido que ‘Fernanda’ vai usar tem alças e rendas, custou 7000 euros e foi oferecido. A tiara de brilhantes, falsos, custou 5000 euros. Irá usar pulseira de pérolas e colar a condizer. Para ‘Fernanda’, não é difícil o equilíbrio em saltos altos ou envergar vestido justo: é transformista e o nome artístico é Miss Ágata. Participou em programas televisivos, teatro de revista, espectáculos e filmes pornográficos. Hoje é chefe de cozinha. Fernando é carpinteiro e pedreiro.


O JULIUS RIMANTE WORLD, felicita os noivos; o Governo pela legislação apropriadíssima que promove estes belos desenlaces e o Sr. Presidente da República, que teve a coragem de a promulgar !!!!!!!!
A todas as verdadeiras Nandas, o JRW aconselha que se disfarcem de Nandos, pois a corrente dominante é fazer da excepção a regra e da regra a excepção. Vivam os noivos.
Para os nostálgicos e os que não sabem como eram os casamentos antigamente, a foto elucida.

SOCIEDADE


    O RIMANTE EM SERRALVES

A convite da Fundação de Serralves, o Julius Rimante World fez deslocar uma equipe de reportagem para o evento SERRALVES EM FESTA-40 horas Non-Stop.
A organização primou mais uma vez pela grande qualidade de todo o evento, que prestigia o Porto e o país.
Programa muito bem elaborado, com actividades culturais e de lazer para todas as idades, num espaço magnífico, preenchendo 40 horas com iniciativas de várias vertentes, catapultou definitivamente o evento, para a galeria do que melhor se faz no género em todo o mundo.
O JRW salienta 5 situações que lhe mereceram  destaque:



1º-POLITICA

A exposição da cama mandada fazer pelo 1º Ministro e que se aguarda a todo o momento, que se deite nela.



2º-CLASSE MÉDIA NACIONAL

Uma cidadã da classe média portuguesa, aprisionada numa redoma, exposta num desespero lancinante, sangrando e pedindo clemência, mas completamente abandonada e exaurida.
















3º-ECONOMIA

A bandeira norte-americana, que constitui a esperança de recuperação da economia mundial, apesar da séria responsabilidade na dèbacle, já que a Europa parece meditabunda e em crise existencial.



4º-JAZZ NO PRADO

Excelente mini concerto da banda do ESMAE, com grande assistência de um público essencialmente jovem, que ainda não sabe bem o que o espera.



5º- O FUTURO PROMISSOR

Apontamento curioso de um cidadão exibicionista, até na hora de desaparecer. Caiu, é certo, mas de pé.