19 JANEIRO

TODA A VERDADE




S-Alô? Alô?
A- Quem fala?
S- Sou eu o Zé.
A- Olá Zé. Que mandas? estás com uma voz afogueada.
S- Ó Ângela, tens de me dar a mão.
A- Ó Zé, mas tu sabes que sou casada. És simpático e jeitoso, mas era um escândalo...
S- Não é isso Ângela, estou desesperado...
A- Ó homem que se passa? O Cavaco vai perder? ou pior o Alegre vai ganhar?
S- Não, nada disso. São os mercados...
A- Quais o do Bolhão? Aconteceu alguma coisa? Adoro comprar fruta lá e batatas...
S- Não Ângela, não gozes...é o mercado financeiro que nos está a empurrar para o FMI, isso aqui era uma desgraça. Pior que ser invadidos por Espanha.
A- Fala com o Zapatero. Ele arranja uma invasão gira, com flamenco e o Barcelona, vocês iam gostar...
S- Tens de me emprestar dinheiro...
A- Eu? Nem penses nisso, ainda não fizemos o inventário.
S- Mas se eles não compram a dívida, vai ser uma derrocada.
A- Eles não querem comprar?
S- Parece que não. Podes ser fiadora?
A- Vou falar com o Trichet. Ele compra. Queres dar  submarinos em garantia?
S- Dou, mas estão avariados. 
A- Porra novos e já avariados?   Onde compraste?
S- Na Alemanha...
A- Ah...bem então deve ser avaria provocada por má condução. Mas está bem, vai-se arranjar. Não fiques assim. E que mais é que tens para dar?
S- Eu dou tudo o que for preciso...
A- Tudo? O Algarve?
S- Isso já não é nosso...é vosso e dos ingleses...
A- Estou a ver...talvez a Madeira...
S- Claro a Madeira, isso é já, mesmo sem nada...mas tendes de invadir, o tipo é muito chato.
A- Ok vou falar, mas não te esqueças do Zapatero, a Espanha ocupava-vos lá para Março, fazíamos uma  rentrée. Levava um vestido novo, todo salero...fala com ele...fala... vou ter de desligar, está aqui a minha empregada de casa. Beijinho



ECONOMIA






O estudo denominado PROJECTO FAROL,  tem como objectivo traçar um guia para o desenvolvimento do país até 2020.
Os resultados dos inquéritos que suportaram as conclusões, foram considerados surpreendentes pelos promotores do estudo, entre os quais Belmiro de Azevedo.
O flagelo do desemprego aparece como o Adamastor,  para mais de 80 % dos inquiridos. 78 % considera que o país trilha o caminho errado e mais de metade que Portugal estará pior, ou muito pior,  daqui a  10 anos.
Quase 50 % dos sondados responderam que o cenário económico e social é considerado pior, ou muito pior que há 40 anos, antes do 25 de Abril. 60 % considera a vida pior ou muito pior que há 25 anos.
Independentemente da representatividade da amostra, que poderá influenciar a avaliação final em maior ou menor grau e o momento da recolha, que é obtida num período depressivo e pessimista, há uma conclusão que parece indiscutível.


Quase 90% dos portugueses desconfiam da classe política.
Esta falta de confiança nos dirigentes, sejam de que família política forem, é a base inultrapassável de tudo o resto. Sem uma liderança que inspire confiança e respeitabilidade, é impossível definir estratégias e linhas de acção, que requeiram dos cidadãos uma aderência consciente e voluntária, para medidas que lhes trazem inconvenientes no curto prazo, mas que entendam como correctas para melhorarem as condições futuras deles próprios e das gerações descendentes.
Os políticos são vistos como profissionais e não como missionários. Os erros estratégicos de grande gravidade cometidos no exercício do poder, são punidos com a substituição, mas os malefícios ficam. Quantos dos problemas que o país tem, advém de decisões tomadas por responsáveis, que hoje estão não se sabe onde? Quantos encargos com dívidas são suportados actualmente e no futuro, para investimentos sem qualquer eficiência social e económica?
Quantos organismos criados para suportar emprego de apoiantes? Quantas leis promulgadas sem qualquer eficiência económica, apenas para enquadrar casos especiais?
Os políticos são chefes de família que desertam quando lhes convém, ou os não suportam e muitos deixam um rasto de destruição e prejuízos que os seguintes, normalmente agravam. Não têm de pagar por isso, mudam de emprego e de país, se necessário.
Quantos deles só se percebe que foram desonestos, já muito depois de terem demandado?
Por isto e muito mais, a classe política não tem qualquer credibilidade, a liderança não tem efectivo poder afectivo, o que significa que dos cidadãos não tem cumplicidade, tem apenas desprezo e aceitação de  sacrifícios sob coacção, jamais por compreensão, ou seja o oposto do que deveria ser: tudo por obrigação, nada por devoção.

18 JANEIRO

BILHAR-LIGA NACIONAL

                

 18ª SESSÃO DA LIGA NACIONAL PORTUGUESA                
        FOFONA PÕE CONSAGRADOS NA ENFERMARIA
Por:Berto Milheirós
O imprevisto aconteceu, os PIROLEIROS recorreram a métodos pouco recomendáveis para inverterem a sorte que lhes não sorria há algum tempo.
MARATONA já havia advertido na entrevista da semana passada que o seu mestre espiritual; Professor FOFONA, estaria a preparar mezinhas para que a sorte virasse.
Assim aconteceu, a PIROLARIA ganhou 4 dos 5 jogos, sem apelo nem agravo, apenas PENSIONISTA logrou amealhar uma vitória no último jogo da noite e mesmo esse, conseguido com uma cedência de ESTALINE.
PIROLEIROS EM MISSA NEGRA COM FOFONA
GUEST 2 jogos ; ESTALINE e MARATONA foram os PIROLEIROS vencedores, tendo VADER apesar de não ter ganho nenhuma das 3 finais em que esteve  envolvido, embocado 15 bolas o 2º  melhor score da noite, pois o 1º destacado, foi GUEST com 22 bolas metidas.
VOVO KIDO, nem se deu por ele, meteu apenas  6 bolas, muito pouco para um líder que se tem afirmado até à data. CAÇADOR foi das maiores vítimas de FOFONA, pois não conseguiu qualquer paio, quando tem sido dos mais reincidentes. VADER com 22 paios é o recordista em 18 sessões.
É evidente, que pelo que  tem sido dado ver, há muitos SARAMAGOS disfarçados de grandes jogadas, particularmente no lado dos CONSAGRADOS, que se arrogam de jogadores científicos, mas que na verdade, também não passam de uns SARAMAGUEIROS ENCAPOTADOS.
ESTALINE derrotou VADER e ganhou o 2º jogo, MARATONA com a ajuda reprovável de FOFONA  ganhou o 3º contra VADER, o que não ocorria há mais de 30 jogos e GUEST carimbou no 1º  e 4º. Para PENSIONISTA a consolação do 5 º jogo.
Foi pois uma noite de festa PIROLEIRA, a mandar os CONSAGRADOS para a enfermaria, completamente destroçados.
CONSAGRADOS NA ENFERMARIA
FOFONA pode ter despoletado uma luta sem tréguas, no recurso ao esotérico para a obtenção de vantagens. Pode-se enveredar por caminhos perigosos e inaceitáveis em jogadores  desta categoria. A CAIXA DE PANDORA escancarou-se e não se sabe o que poderá advir. Os CONSAGRADOS feridos na dignidade e no corpo, poderão retaliar com especialistas da área, o que não augura nada de bom. Esperemos os próximos desenvolvimentos.
O quadro da sessão e a classificação são os seguintes:








PRESIDENCIAIS

                                                  UM AVÔ CANTIGAS A PRESIDENTE

A política é uma arte, uma ciência ou lá o que lhe queiram chamar, mas na realidade, de um detalhe poucos duvidam, é de que se trata de uma actividade desprestigiada até aos limites. Qualquer cidadão, que até pode ter um percurso impoluto, se se propõe a funções políticas, de imediato é olhado de soslaio. É rotulado indelevelmente como mais um que se vai servir, em vez de servir.
É evidente que esta péssima reputação, não foi inventada sem fundamento e é normal na esmagadora maioria das nações. Ao exercício do poder está associado, o compadrio, o favorecimento de grupos, protecção de interesses particulares e um infindável rol de pagamentos de apoios. Da direita à esquerda, todos são produtos tóxicos, todos gerem estratégias de conveniências e sempre com uma máxima que lhes é comum, servir a comunidade, o tamanho dela é que varia...
Tudo isto a propósito das presidenciais. Numa eleição de grupos, como nas legislativas, que são o trampolim para a governação, os candidatos ainda falam no plural : “ nós somos os melhores...” - por isto e por aquilo, em que cada um tenta demonstrar a vantagem da sua corporação, perante as adversárias.
Nas eleições unipessoais o espectáculo é mais degradante, é cada um per si a dizer...”...eu sou melhor que os outros...”- por isto e por aquilo. A imodéstia atinge o pornográfico, os adversários atacam-se sem decoro, nem decência.
O ego é levado ao ridículo, com cada um a desvalorizar tudo o que os outros digam que tenham feito, ou se proponham fazer. Um circo de vaidade, com os candidatos a falarem tanto em “eu isto...eu aquilo...”.
Só para concorrer já é preciso ter estômago, meses de auto-elogio, de culto da personalidade, que até é natural que no fim pensem mesmo que são os melhores.
A plebe vai assistindo a tudo isto, colaborando nas manifestações, nos jantares e nas reuniões bem preparadas pelos staffs dos grupos. A maioria silenciosa, presta pouca atenção aos candidatos, acha que são todos uns hipócritas, mas que são um mal necessário, para que se possa ter um regime democrático. Qualquer jogo de futebol mediano, ou uma telenovela, bate nas audiências um debate televisivo de candidatos. O caso de Tiririca o palhaço deputado no Brasil é paradigmático, grande parte dos eleitores estão fartos dos políticos profissionais e volta e meia indignam-se e bora lá, aí vai uma pateada.
É penoso ver personalidades com idades que aconselham honorabilidade, consideração e respeito pelos seus pares, a usarem linguagem deselegante, acintosa e por vezes ofensiva, sobre adversários também eles de idade de aposentados ou prestes a lá chegarem.
Dizem que é o debate político, não é nada, é o fascínio pelo poder que tolda estes nossos avós, que os torna mais infantis que os netos, que os fazem perder a compostura, que os ridiculariza perante a sociedade, mas eles não se importam...
Velhos vaidosos é do que se trata e ainda por cima, só vão mandar no jardineiro do Palácio, porque no resto pensam que vão mandar, mas o Professor nisso foi mestre e já mostrou que não mandam nada.