DESEMPREGO DEVASTADOR

O desemprego de cerca de 1 milhão de pessoas, segundo as estatísticas oficiais e mais de 1 milhão e 300 mil, considerando que cerca de 300.000 já não procuram emprego e são riscados das estatísticas, está a afectar mais de 16 % dos portugueses activos.
Mais grave quando se verifica que uma grande parte tem cerca de 50 anos e para voltar ao mercado de trabalho será extremamente difícil. Os mais jovens são também desbaratados e a taxa de desemprego dessa faixa atinge uma enormidade para um país europeu, restando-lhes o incentivo do primeiro-ministro para emigrarem.
O desemprego resulta da destruição maciça de grande parte do tecido empresarial constituído por PMEs, que estão vocacionadas para o mercado interno e que não se transformam num golpe de mágica em exportadoras.
As dificuldades de liquidez proveniente da sangria dos recursos para acorrer às empresas públicas, autarquias, parcerias público-privadas, BPN e outras burlices do género, estão a asfixiar irreversivelmente a capacidade de sobrevivência dos empregadores.
As empresas portuguesas para se modernizarem adquirem equipamentos ao preço dos alemães e franceses, muitas das vezes mais caro, porque são esses que os vendem. Sem capitais próprios adequados, pois é histórico o funcionamento da economia nacional à base de financiamento bancário, a crise de crédito provoca um stop brutal na actividade económica, liquidando cerca de 1.000 postos de trabalho diariamente.
Não é numa década que se resolve o problema estrutural que apresenta Portugal, que mesmo com crédito fácil não conseguiu crescer onde deveria ter crescido – na produção de bens e serviços transaccionáveis - ,  quanto mais em dois anos.
Metaforicamente falando: é como exigir que a Justiça funcione bem, os deputados sejam em menor número e ganhem menos, que os políticos sejam responsabilizados pela incompetência, que se perceba a utilidade dum Presidente da República, que as nomeações para cargos públicos não sejam por razões políticas, tudo isto em 2 anos. Todos nós sabemos que vai demorar muito mais que uma década, se é que alguma vez vai mudar…
O seguidismo do governo e do partido da oposição, acorrentados ao acordo com a Troika, anestesiou de tal forma a política de Estado, que não querem perceber os avisos de que o país caminha para uma hecatombe. O ajustamento do contrato é crucial, caso contrário o exército vai sendo dizimado até à capitulação total. A absorção da mão de obra  que entretanto vai engrossando as fileiras do desemprego, não tem uma estratégia definida pelo Governo, que vai deixando sem rumo uma imensa multidão de gente útil, que representa uma perda em número de horas de trabalho  infinitamente superior ao que se ganha com o fim dos feriados.

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