-JORNALISMO DE ANTECIPAÇÃO ONLINE juliusrimante@sapo.pt-Fundado em 03/07/2008-Director: Toni Roma-Porto-Portugal(-A notícia antes da ocorrência-)
SINAIS
Os sinais são
tantos, que é impossível passar ou lado ou esperar melhores dias. O próprio
discurso dos políticos na comunicação e no Parlamento é tão contraditório, que eles
próprios são um sinal. A Espanha já
recebeu a visita do cobrador do fraque e a seguir vai capitular. Cinco milhões de desempregados nos nossos vizinhos,
25 % da população activa, é um número aterrador e que aterroriza a Europa.
Os bancos
que estão exauridos, quer pela política de financiamento dos últimos anos, que
negligenciou a qualidade do crédito em função da quantidade, quer pela
emergência de financiar as empresas públicas e o Estado perante a recusa dos
mercados, tentam reforçar os capitais para evitar a asfixia latente. O BES foi
o pioneiro e o sinal não poderia ser mais preocupante. Os accionistas de
referência aceitaram o “sacrifício”, mas com um desconto de 66 % !!!. As acções
representativas do aumento terão o preço de 39.5 cêntimos. Como resultado do
anúncio da operação, o BES bateu mínimo histórico. Os outros que se seguirão já
têm o preço traçado.
Miguel
Cadilhe aconselhou a criação de um imposto extraordinário sobre a riqueza (one
shot), destinado a atacar a dívida, pois a degradação financeira do sector
privado pode redundar numa explosão social. Como tem sido evidente a redução do
défice e da dívida pública, tem nas medidas extraordinárias, não repetíveis, o
quinhão mais significativo. Não se imagina quem serão os contribuintes do tal
imposto, pois os ricos já se deslocalizaram…
António
Barreto de outra área política, alertou que a coesão social na Europa está
ameaçada, porque a solidariedade europeia é uma ficção. Já tínhamos reparado…
A segurança
social indiciou números que reportam a insustentabilidade do sistema. Já
desconfiávamos…
A economia
não arrefeceu, congelou, o desemprego passou o admissível e a destruição do
maior factor de criação de riqueza – o trabalho- empobrecerá brutalmente o país
e vai arrasar a coesão nacional.
Portugal não
tem soberania, o Governo não passa de uma Direcção Geral destinada à aplicação
das políticas de ajustamento da Troika. É incontornável que recebeu uma herança
caótica, mas decorrido quase um ano não consegue criar índices de confiança que
alavanquem a sociedade.
O 1º
ministro é bipolar, entusiasta na 2ª, céptico na 3º e na 4ª já não sabe nada,
porque depende de variáveis externas que não controla. A gente já sabia…
O MEDO
O medo é o
único sentimento que nos faz companhia a vida inteira.
Pode ser
racional ou inexplicável, tem tantas variantes que cada um de nós tem-no como
se do DNA se tratasse. Vai-se metamorfoseando de acordo com a idade, com o meio
e a vida de cada um. Os medos de muitos servem de gozo a outros, mas ninguém
escapa de sentir outros medos, por si, ou por outros de quem gostam. Os medos
físicos são os mais comuns, da doença, do sofrimento, da morte, mas os medos
das perdas, das incertezas, da solidão, do desprezo, da indiferença, dos maus
tratos, são desconcertantes e dilaceram-nos sempre que nos agarram.
Ter medo não
é sinónimo de cobardia, cobardia é não assumir que se o tem, para além de
grossa mentira. A sobrevivência é assente no medo e na luta de contornar os
perigos que ela envolve. O medo é condição “sine qua non” para se sobreviver, é
a luz amarela que a vida lança ao cérebro para dizer que há perigo.
O quotidiano
é marcado por uma imensidade de pequenos e grandes medos, desde o chegar tarde
ao emprego e criar desconfortos, ao atravessar a rua com cuidado para não ser
atropelado, até ao estado de saúde de um familiar chegado que nos preocupa e
assusta.
A
globalização também adensou os nossos medos, tudo é rápido, tudo se sabe, tudo
se vê. Os mais frágeis não resistem e o pânico apodera-se, o medo que é a luz
amarela da sobrevivência, torna-se na luz verde para a morte.
O optimismo
é um antídoto importante quando o medo toma freio nos dentes, mas atenção, é
apenas uma vitória que adia a derrota final.
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