TEMPO PARA SUBIR O TECTO

TESTE DE STRESS EM ALVARENGA



Fomos falar com o Presidente da Caixa de Crédito Agrícola de Alvarenga, sobre os testes de stress antes de serem tornados públicos.
P- Sr. Presidente, tem fé em que a CCAM de Alvarenga, passará no teste do stress?
R- Eu acho que sim, apesar de ter sido uma semana de muito stress para pôr tudo em ordem, antes que os fiscais do stress chegassem.
P- Mas em que consistiu o teste?
R- Chegou a brigada do stress por volta das 9 horas, constituída por 6 fiscais que se identificaram, fardados, de óculos escuros e que de imediato interrogaram as pessoas que estavam na agência.
P- Interrogaram como?
R- Interrogando…
P- Certo, mas quais as interrogações?
R- Começaram por chamar os empregados da agência um a um e questionaram-nos se andavam stressados…
P- O que responderam os quadros da Caixa?
Presidente da CCAM de Alvarenga
R- Os quadros não responderam nada, porque só temos 2 e são de pintores pouco conhecidos, foi oferta de 1 lavrador cliente da Caixa, pelo Natal.
P- Refiro-me aos empregados da agência…
R- Ai esses…disseram que não havia stress nenhum, tudo se fazia com muita calma. Temos normalmente 3 clientes por dia, o que é aceitável e são atendidos com muita calma, sem stress. É verdade que por vezes há dias que tem mais movimento e por vezes chegamos aos 5 atendimentos, aí sim, já se sente algum stress, mas como é muito raro, nem se tocou nesse assunto.
P- Mas os fiscais não foram analisar as reservas de caixa e os activos?
R- Que eu tivesse visto, não, mas eles entravam e saíam sem dizer nada, pode ser que fossem ver as reservas, sem que nós percebêssemos, mas as nossas reservas são boas…não temos qualquer receio.
P- A que reservas se refere?
R- Isso não sei, mas aqui a terra é boa, os clientes na sua maioria são lavradores bem instalados, portanto as reservas agrícolas também cumprem.
P- Questionaram sobre os activos da CCAM?
Brigada do Stress
Chefe da Brigada do Stress
R- Questionaram mas não faltou ninguém, nem está ninguém de baixa. Viram todos os activos, até a empregada de limpeza estava presente. Entregamos a folha da segurança social, para comprovar que os activos eram os que estavam na Caixa. Ficaram satisfeitos, até pela prontidão e organização com que respondemos a todas as questões.
P- Sobre os capitais próprios da caixa, que é uma das rubricas do teste anti-stress, que responderam?
R- Aí até podíamos falar pouco porque há o sigilo bancário, mas como nós não escondemos nada, demos uma relação dos capitais do pessoal da agência, que no total deu cerca de 46.000 euros, sem abater o crédito à habitação do Albano, que é o caixa da Caixa.
P- Então perante uma crise que surja, a Caixa parece apta a responder sem grande stress?
Testes de stress no estrangeiro
R- É evidente, os nossos cliente não correm riscos. Aqui há muito rigor, apoiamos com o crédito a actividade da lavoura. Se tiverem 10.000 euros a prazo, emprestamos até 50 %, desde que a totalidade fique cativa até pagar a dívida à Caixa.
P- Mas isso é emprestar o dinheiro dos próprios…
R- Pois é….mas o que queria? Que emprestasse o meu ?… e não se esqueça que está cá guardado, não há risco, temos guarda-nocturno e televisão.
P-A Caixa de Alvarenga está exposta a  dívidas soberanas?
R- A quê?
P-Dívida soberana, ou seja, a dívida pública de Estados...
R- Nem pense nisso. Só emprestamos à lavoura, quando fizeram os estádios para o europeu vimos logo que era um risco grande. Se tivesse sido feito um estádio em Alvarenga é evidente que entrávamos, mas assim nem pensar. Aqui não se investe em futebóis.
Durante a entrevista recebemos a informação que a CCAM passou no teste e demos disso conhecimento ao Presidente.
P- Sr. Presidente a Caixa passou no teste anti-stress…chegou-nos agora a informação do nosso repórter em Bruxelas.
R- Como???? A sério???
P- Sério…
R- Graças a Deus,,,,,Deus seja louvado….Colegas….- (o Presidente a chorar convulsivamente, chama os restantes 4 empregados da agência e dá-lhes a boa nova, em grande gritaria)
-Rapazes PASSAMOS NO TESTE!!!!
-Como ???? passamos no stress? – questiona o caixa, ainda incrédulo.
-Passamos Albano….PASSAMOS ALBANO- grita num choro de alegria, o presidente agarrado ao Albano, que desata também num pranto ainda maior, soluçando…”Bendito S. Onofre….que ouviu as nossas preces…”
Clotilde 
Os outros abraçam-se também num choro colectivo, que quem não soubesse, pensaria que a Caixa tinha reprovado no teste do stress.
“oh que graça de S. Benedito”- clama a empregada de limpeza, com a vassoura apontada para o céu.
Eduardo Gomes, que trata do crédito agrícola e que tinha acabado de atender um cliente com um projecto do PRODER de 2002 que aguarda o pagamento do subsídio, ouve a algazarra e todos os camaradas a chorar…
-“não me digam…vamos ser integrados no Ministério da Agricultura?”- dispara como se uma desgraça se abatesse na Agência.
Eduardinho
“Eduardinho, nada disso…PASSAMOS NO STRESS”- informa a empregada da limpeza, Clotilde, com olhos grandes e sem 3 dentes da frente, o que provocou o completo embaciamento dos óculos de Eduardo, ao ponto deste pensar que chovia na agência.
“S. Judas Tadeu, louvado seja seu santo nome, grande graça nos concedeste”- de joelhos Eduardo fez as saudações típicas dos islâmicos, com a cabeça e os braços abertos a tocar o chão e de seguida voltado para o céu, em movimentos contínuos.
P- Receou o teste anti-stress, Sr. Presidente?
R- Para ser sincero, andava stressado, aliás a agência que nunca teve stress, andava toda stressada, mas a S. Torcato, não nos abandonou. Alvarenga pode estar orgulhosa da sua Caixa, que é uma Caixa Forte e sem stress. Os clientes podem estar tranquilos, porque vão continuar a ser atendidos com  calma e o dinheiro fica em boas mãos. O Albano  é um caixa dos melhores, ao ponto de lhe cortarmos o abono para falhas, porque nunca houve falhas. O nosso lema vai passar a ser: A Caixa de Alvarenga olha pelo seu interesse, sem nenhum stress.
O JRW por feliz coincidência, foi quem deu a notícia aos empregados da agência e a todos os santos que participaram, da aprovação em Bruxelas, no teste de resistência, dito stress, que considera a CCAM de Alvarenga como uma instituição sólida e apta a responder a crises imprevistas.




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ILUSÃO DE POBRE...

Prossegue a guerra das estrelas na complicada situação que se vive na Europa. Merkel, Scháuble (ministro das Finanças da Alemanha), Trichet e Weidmann (Bundesbank), são as figuras do thriller. O presidente da Comissão, o nosso Barroso, pesa tanto como nós na economia europeia: 2 %.
A Grécia enredada na impossibilidade absoluta de cumprir com os credores, necessitando de renovadas injecções de liquidez, está a servir de balão de ensaio para a estratégia alemã, que consiste em isolar os membros da U.E com défices elevados e que trazem mais engulhos que boas notícias.
Com a adopção da moeda única, foi como se todos partissem para uma corrida em condições completamente desiguais: Ferraris e Fiats Punto lado a lado, mas apenas na partida, ao fim de 3 voltas  estes já tinham sido dobrados. Sem competitividade, sem crescimento económico sustentado, grandes défices públicos para financiamento da política social, incapacidade de produção de bens transaccionáveis para exportar ou substituir importações, perda da soberania cambial, tudo isto associado às inenarráveis políticas orçamentais, foi provocando avarias consecutivas nos menos apetrechados, até os levar à desistência, o caso da Grécia.
A Europa comunitária é feita de ricos e pobres, o problema foi o fascínio de levar a pensar e pior que isso a agir, os pobres como se fossem ricos. O nível de vida, as prestações sociais, as obras públicas, o consumo privado e a compra de habitação, não foram resultado do aumento de riqueza redistribuída,  foi resultado dos empréstimos externos, quer aos Estados quer aos bancos e empresas.
Chegado o momento da verdade, os ricos que foram financiando com alegria as esquizofrenias dos pobres, desencadearam uma operação stop e aqui estamos hoje. O sistema em que  os periféricos têm vivido, assenta na lógica do jogo da roda, o sistema é alimentado por novas entradas (empréstimos), que pagam os anteriores e o remanescente é injectado na despesa pública ou privada, mas sempre em espiral ascendente. Por outras palavras, cada vez se deve mais na esperança de que o aumento do PIB, permita um dia reverter a espiral e se comece a diminuir a dependência do financiamento exterior. Ilusão sistematicamente negada pelas contas nacionais. Isto provoca um desassossego que os ricos não suportam, afecta a moeda e desvia recursos para acudir a esses esconjurados. Os juros que os pobres têm de pagar pelos auxílios a contragosto dos ricos, em vez de lhes aliviar a carga, ainda os empurram mais para o abismo, não lhes restando outra alternativa que não seja a de fazer a fita de que vão cumprir tudo que lhes foi imposto, quando sabem de antemão que é uma utopia, ganham tempo até que qualquer coisa boa aconteça...é a ilusão  de pobre...