AMOR A PORTUGAL


O jogo da selecção nacional teve um resultado muito pior que a exibição e ficou a dever-se à conjunção de alguns inexplicáveis azares na defesa e no ataque.  É evidente a falta de uma articulação táctica do jogo como um todo, a transposição da bola não se processa da mesma forma nos vários sectores. A equipa está construída numa filosofia de ataque, mas falta-lhe um equilibrador quando perde a bola. Maus ensaios, mas não será por isso que perderá competitividade. Veremos se as estrelas farão uma constelação, ou se ficarão por aí.
Mas o mais memorável foi a atitude do público, o ambiente patriótico, a gente jovem com a bandeira nacional, o cantar correcto do hino que se percebia nas bocas que as câmaras identificavam na imensa multidão que enchia o estádio do Benfica enfim o frémito patriótico que os antigos pensavam ser um património em extinção.
Incrível a resposta dos portugueses que estiveram na Luz, num momento difícil para o país, em que todos os dias a vida vai sendo castigada com medidas que nos querem diminuir como povo e como europeus, que nos inferiorizam e reduzem a qualidade de vida de muitos à sobrevivência primária.
Os milhares demonstraram orgulho numa nação que está acima da conjuntura, que tem uma História com quase mil anos, que está acima do Estado, que não foi feita pelos que a governam a cada momento, que foi construída por reis, republicanos, navegadores, poetas, desportistas, cientistas, actores, engenheiros, padres, médicos, escritores, heróis da pátria e muitos outros que ajudaram a que a língua de 10 milhões seja a língua de muitos milhões por esse mundo fora. Esse espólio ninguém o pode usurpar, seja por ajustamento, seja por austeridade, ou seja lá pelo que for, isso nunca fará parte de memorandos nem de negociação.
O arrepiante momento do cantar do hino por uma multidão independentemente de sexos, idades e  outras  diferenças, identifica o maior valor que o país tem: o amor dos portugueses a Portugal.

INTERVALO


TEMPOS E MODOS


BLUFF NEO-LIBERAL


Querem ver que o homem afinal é um bluff….
O ministro engana-se nas contas dos impostos e agora vem anunciar a revisão em alta do desemprego?
O Dr. Gaspar não deve sair do gabinete, caso contrário já tinha percebido que a variável está fora de controlo.
Quem pode atacar o problema não é o Estado, são as pequenas e médias empresas que estão a sucumbir todos os dias e as que ficam já sabem o que significa “downsizing” (despedir). O seu assessor para as privatizações, o emérito António Borges (ex. quadro do Goldman Sachs, banco que ajudou à génese da crise) veio ajudá-lo, afirmando que o ajustamento “está a limpar a economia” e prepará-la para uma fase de crescimento.
Limpar a economia está absolutamente correcto, agora prepará-la para o crescimento, só se for o das insolvências
O tecido económico que está a ser asfixiado não vai ser substituído, o desemprego estrutural é demasiado grave quando comparado com o conjuntural. Portugal não tem massa crítica nem “massa” para capitalizar empresas e as que se dedicam ao consumo privado nacional não é num ápice que passam a exportadoras.
A política de ajustamento sem reformulação no capítulo da austeridade, conduzirá à miséria absoluta e ao desemprego irrecuperável. Quando isso acontecer fazem como os outros, põe-se a andar, nunca ficam para dar a cara (tal como Sócrates e afins) e passam a consultores de bancos neoliberais com remunerações bem chorudas porque isso de austeridade é sempre para os outros. Se se enganarem, paciência, vão justificar com o blá, blá e que qualquer variável que não dependia deles correu mal. É uma cruz ter que levar com esta gente…

OS XANXOS


URGÊNCIAS